Como os Governos aterrorizam a população

 

Por James Corbett (em http://www.TheInternationalForecaster.com)

21 de Novembro de 2015

O meme já foi lançado: “Paris muda tudo,” de acordo com os terroristas nos Governos que se beneficiam das mudanças trazidas pelos ataques terroristas em Paris.

É mesmo? Paris realmente “mudou tudo?”

Bom, vamos nos recordar dos dias felizes terminados em 12 de Novembro de 2015. Como o mundo anterior aos ataques de Sexta-feira 13 de Novembro se compara ao mundo de hoje?

Antes dos ataques, a União Europeia podia criticar a França por não atingir suas metas orçamentárias. Após os ataques, a EU pode tentar criticá-la mas a França pode afastar tais preocupações invocando a cláusula de segurança da UE.

Antes dos ataques, os franceses podiam se opor a um projeto legislativo que conferiria amplos poderes de vigilância aos serviços de inteligência. Após os ataques, o governo tem amplo apoio da população para conceder poderes especiais emergenciais à polícia e para emendar a Constituição fazendo com que tais poderes sejam permanentes.

Antes dos ataques, o povo inglês podia protestar contra a proposta de lei de vigilância Orwelliana de seu governo. Após os ataques, o primeiro ministro David Cameron pode propor tramitação acelerada do projeto para “proteger a população” dos terroristas.

Antes dos ataques, o governo Britânico podia propor um corte drástico de 1,9 bilhão de Libras ao orçamento da Polícia. Após os ataques, tais cortes provavelmente serão drasticamente reduzidos.

Antes dos ataques, o principal bloco político no Parlamento Europeu poderia tentar propor a criação de um Exército Europeu mas ninguém o levaria a sério. Após os ataques, o presidente da Comissão Europeia coloca-se a favor de um Exército Europeu e todos o levam a sério.

(…)

Dá para entender o recado. O ponto é simples e é fácil de compreender: espetáculos de violência podem fazer com que o politicamente impensável torne-se politicamente desejado.

Deixe-me salientar a definição preferida da ONU para “terrorismo”:

“Atos criminosos planejados ou praticados por motivos políticos com a intenção de provocar um estado de terror na população, em um grupo de pessoas ou em indivíduos.”

No caso dos eventos como os ataques a Paris, certamente temos uma situação em que a população foi levada a um estado de terror. Mas a quais propósitos políticos esse terror serve? Aos do Estado Islâmico, que serão bombardeados e exterminados da face do planeta junto com o Assad? Ou aos políticos que pressionam por maiores orçamentos, aumento nos poderes de vigilância, acessos privilegiados a dados criptografados, novos exércitos regionais etc.? Se a resposta é que o terror serve aos políticos, isso não os torna os terroristas, por definição?

Esta observação não é nova em nenhum sentido. Já foi constatada há décadas, senão séculos. H.L. Mencken observou em 1918 que:

“O principal objetivo prático da política é manter a população alarmada (e implorando para ser conduzida à segurança), ameaçando-a com uma série interminável de bichos-papões, a maior parte deles imaginários”

Winston Churchill supostamente disse: “nunca desperdice uma boa crise”. Verdade ou mito, Rahm Emanuel (antigo Chefe de Gabinete do Obama e atual prefeito de Chicago) soltou essa frase e temos o registro em vídeo.

(…)

A estratégia é incrivelmente simples. Provoque um ataque, simule um ataque, permita que um ataque aconteça ou simplesmente capitalize sobre um ataque ocorrido. Use a revolta do povo para aprovar novas leis draconianas, fazendo papel de salvador da pátria. Assista ao povo se unir em torno da bandeira e implorar para lhe conceder ainda mais poder para que você os mantenha seguros.

Esse fenômeno não é novo. Esse fenômeno não é surpreendente. Não é imprevisível. Na verdade, tenho falado extensamente sobre esse fenômeno no Corbett Report e milhares de outras pessoas têm falado sobre isso há muito mais tempo. Mesmo assim o tema precisa ser retomado agora, enquanto o público ainda está arrebatado pela histeria provocada pelo terror. Incidentes terroristas espetaculares são a varinha de condão dos mágicos controladores da sociedade: eles distraem o público enquanto a ação real ocorre em outra parte.

Como lidamos com isso? Quebramos a varinha na cara do público. Mostramos o pássaro escondido na manga. Revelamos o irmão gêmeo do assistente de palco que se esconde no número de mágica. Expomos a xícara com fundo falso. Revelamos o truque e acabamos com o feitiço lançado sobre o público.

De uma forma ou de outra, os terroristas são aqueles que buscam aumentar seu próprio poder enquanto o país agoniza em luto e ira. De uma forma ou de outra, são os Governos que estão aterrorizando suas populações.

(…)

 

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